Assim como a empresa onde trabalho, forneço consultoria e soluções em gestão de manutenção. Desde a graduação, há quase vinte anos, e do mesmo modo que minha empresa e diversos outros profissionais e empresas da área, espero ver a manutenção e suas descendentes, como a gestão de ativos e engenharia de confiabilidade, prosperarem por esta terra e, com isso, crescer com elas, profissional e pessoalmente, fazendo o que gostamos.
Esperar, no sentido de ter esperança, pode ser descrito, após uma pesquisa rápida e tendo por fonte a Wikipedia, como o sentimento de acreditar que um resultado positivo é possível. Também, muitas vezes, no início da descrição, temos que seria uma crença, mas fiquemos com sentimento, por ora, que já é pouco ou mesmo nada técnico para nós da Manutenção, para o tema de um artigo técnico. A sorte é que a Ciência, paixão que move a tantos, senão todos nós, sempre estudou e tentou desvendar mesmo conceitos subjetivos, como os sentimentos.
Como em um experimento científico, buscando simplificar o fenômeno em estudo para modelá-lo, observá-lo sistematicamente e analisá-lo com uso da lógica, para ser menos abstratos ainda, podemos fazer uma aproximação. Ao invés de esperança, usar o otimismo, já há tempos objeto de estudo da Psicologia, logo, um termo técnico dessa área da Ciência, aí, sim, atendendo bem melhor às nossas diretrizes, especificações, condições de contorno.
O sentido de otimista, de fato, é bem semelhante ao de esperança. Também conforme a Wikipédia, seria a disposição para encarar as coisas pelos seus lados positivos e esperar sempre por um desfecho favorável. Posições otimistas seriam associadas à autoestima, ao bem-estar psicológico e à saúde física e mental. Há estudos, inclusive, que relacionariam o otimismo também ao funcionamento do sistema imunológico e à resistência ao stress.
A revista Exame publicou, em 2008, um artigo que começa citando que, no início daquele ano, sem perspectivas de fim da crise mundial, os brasileiros estavam otimistas e que, apesar da disparidade entre expectativa e realidade, aquilo não era um erro de cálculo e sim uma elaborada estratégia do cérebro para nos fazer seguir adiante. No artigo, há referências de vários estudos interessantes (www.istoe.com.br/188363_A+CIENCIA+DO+OTIMISMO/).
No último ano, na empresa, atendendo a um cliente multinacional de grande porte da indústria da mineração, tive a oportunidade e satisfação de encontrar ótimos motivos para ficar ainda mais otimista, ao esperar o deslanchar, o aguardado boom no desenvolvimento da área de manutenção, no Brasil. A manutenção deles já havia se expandido em gestão de ativos, incluía engenharia de projetos de melhorias, engenharia de manutenção e até confiabilidade.
Mesmo ao conhecer as dificuldades práticas específicas deles, minha esperança ainda estava renovada e ampliada. Atentos aos padrões classe mundial, já tinham mapeado a maioria, senão todos os aspectos que requeriam melhorias, motivo também de orgulho, pois, conforme dizem, reconhecer o problema é metade da solução.
Além dos constantes esforços para melhorar sua estrutura de PCM (Planejamento e Controle de Manutenção) de rotina e paradas, estavam otimizando seu sistema de gestão informatizado, seus bancos de dados e indicadores, conduziam análises de causa raiz de falhas incomuns graves e problemas crônicos e suas lideranças possuíam qualificações alinhadas às melhores práticas da liderança de confiabilidade (ver Reliability Leadership, no inglês).
Investiam em seus recursos humanos, oferecendo bolsas de estudo em cursos de graduação, pós-graduação etc., destinavam consideráveis recursos à segurança do trabalho, à proteção individual e coletiva, à preservação ambiental, cedendo pessoal para combate aos incêndios florestais recentes, e tendo, ainda, consciência e atitudes concretas quanto a sua responsabilidade social, ajudando entidades filantrópicas e projetos sociais e culturais.
Assim, as perspectivas estavam sendo muito boas para mim, minha empresa, nosso cliente, enfim, toda a nossa manutenção, gestão de ativos e engenharia de confiabilidade – então veio a situação da pandemia do Coronavírus. Mas, como o tema é esperança, sejamos otimistas para, tal como nossos representantes no executivo e legislativo vêm fazendo, que nossos gestores achem alternativas para não ter de demitir ou abandonar programas que tenham de eleger como menos essenciais, mas igualmente importantes para a empresa ser competitiva.
Que possamos testemunhar, como é comum na História, em momentos difíceis, nossa superação e evolução, principalmente na área da Saúde, em melhores testes e medicamentos, na vacina, e também em outras áreas, como em materiais alternativos e processos produtivos mais rápidos e econômicos, e mesmo na Manutenção, como ocorreu com o surgimento da manutenção preventiva, após a Segunda Guerra Mundial, pela demanda por produtos em geral e por alta disponibilidade, com a maciça mecanização, da manutenção centrada em confiabilidade, nos anos 70, para reduzir as quedas de aeronaves das empresas de aviação civil norte-americana etc. E, usando até a definição da crença, praticamente certeza para quem crê, como eu, que Deus nos proteja, nos cure e nos inspire.